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Embraer EMB-120 "Brasília"
Ao longo da década de 1970, o EMB-110 Bandeirante foi ganhando cada vez mais destaque no mercado global regional. Ao mesmo tempo a Embraer investiu em outros segmentos como aviação agrícola, militar e executiva. A medida que a fabricante ganhava maturidade, novos projetos para a aviação comercial começaram a surgir. O próximo passo da Embraer foi uma família de aeronaves turboélice pressurizadas, batizada de EMB-12X. A medida que o projeto avançou, ficou definido o desenvolvimento de três versões: EMB-120 Araguaia, EMB-121 Xingu e EMB-123 Tapajós. Os três aviões usariam a mesma cabine de comando (cockpit), cauda e fuselagem (cross section), mas com comprimentos diferentes, isso ajudaria a reduzir os custos de desenvolvimento ao mesmo tempo que criava maior comunalidade entre as aeronaves.
O Embraer EMB-121 Xingu foi o único que não foi projetado para a aviação comercial, mas sim para a aviação executiva e particular. Ele era a menor versão dos três, com capacidade para 8 passageiros, e se tornou a primeira aeronave pressurizada construída e projetada no Brasil. O EMB-121 também foi o primeiro a adotar duas características que foram mantidas nas outras versões: a cauda em "T" e o nariz alongado. Enquanto a cauda em T permitia que o estabilizador horizontal ficasse longe da movimentação de ar causada pelos motores, melhorando o controle e a vibração, o nariz alongado ajudava a tornar a aeronave mais aerodinâmica, reduzindo o consumo de combustível e garantindo velocidade de cruzeiro superior. O primeiro protótipo do Xingu entrou em produção em 1976 e o primeiro voo foi realizado no dia 22 de outubro do mesmo ano. O primeiro comprador foi a Força Aérea Brasileira (FAB) e posteriormente o EMB-121 também encontrou compradores em outros países, como EUA e França.
Já o Embraer EMB-123 Tapajós seria uma versão menor do que o EMB-120, com objetivo de substituir o EMB-110, com capacidade para 19 passageiros. Durante uma visita às instalações da Embraer, o governo da Argentina se interessou em participar do projeto. Em 1986 foi assinado um acordo para a criação em conjunto do novo avião pela Embraer e FAMA (Fábrica Argentina de Material Aeronáutico). Em maio de 1987 o nome da aeronave foi alterado para CBA-123 (Cooperação Brasil-Argentina), enquanto o apelido Tapajós foi substituído por Vector, um palavra mais internacional. O CBA-123 adotou uma configuração inovadora nos motores, com as hélices viradas para trás. O primeiro voo ocorreu no dia 18 de julho de 1990. No entanto o programa foi interrompido em 1991. Tanto a Embraer, quando a FAMA estavam com dificuldades financeiras, o que dificultou o repasse de verba para o projeto. Além disso o CBA-123 acabou consumindo muito mais investimentos do que o inicialmente previsto, se tornando um projeto cada vez mais caro e menos atrativo. Enquanto isso as companhias aéreas estavam procurando aeronaves com maior capacidade de passageiros, o que contribuiu para a dificuldade do Vector conseguir encomendas. Apenas dois protótipos do CBA-123 foram criados e a aeronave nunca foi certificada.
Por fim o EMB-120 Araguaia começou a ser desenvolvido com uma capacidade de passageiros mais próxima ao EMB-110. Porém, a medida que o mercado moveu em direção a aeronaves regionais maiores, a capacidade do EMB-120 foi aumentada para 30 passageiros. O modelo foi lançado oficialmente em 1979 com um novo apelido, "Brasília". A aeronave herdou a cauda em T e o nariz do EMB-121 Xingu e algumas características do EMB-110. Algumas partes da aeronave, como o nariz, estabilizador vertical e asas, são feitas de fibra de vidro reforçada como forma de diminuir o peso da aeronave. Em comparação com o EMB-110, o EMB-120 Brasília é maior, pode levar mais passageiros, possuí ar condicionado melhorado, menor nível de ruído e vibração e cabine pressurizada, sendo capaz de voar mais alto, evitando turbulências. Outra grande vantagem do Brasília são os seus motores turboélices mais potentes, que permitem velocidades de cruzeiro superiores a 500 km/h. A Embraer escolheu um motor novo na época, o Pratt & Whitney Canadá PW100, introduzido em 1977 e testado pela primeira vez em 1981. É a mesma família de motor usada por outros turboélices de sucesso como o ATR-42/72, Dash 8 e Fokker F-50. Inicialmente a versão escolhida foi o PW115, porém mais tarde foi trocado pelo PW118, com maior potência. A cabine de comando do EMB-120 é equipada com EFIS (Electronic Flight Instrument System), uma novidade em aeronaves turboélices na época.
Quando o protótipo realizou o primeiro voo, em 1983, o Brasília já tinha mais de cem encomendas firmes. Ao contrário do EMB-110, o EMB-120 começou sua carreira fora do Brasil e só mais tarde foi operado por companhias aéreas brasileiras. A primeira a receber o modelo foi a Atlantic Southeast Airlines, que realizou o primeiro voo, em setembro de 1985, entre Atlanta e Gainesville. A primeira a operar no Brasil foi a Rio Sul, em janeiro de 1988. Em 1994 o EMB-120 já estava em operação em 26 empresas de 14 países. O Embraer EMB-120 Brasília foi um grande sucesso especialmente nos Estados Unidos, já que 75% de todas as vendas foram desse país e as seis companhias com as maiores encomendas para o modelo eram americanas. Embalado pela desregulamentação do setor, em 1978, o mercado de aviação regional nos EUA estava em plena expansão, onde as grandes companhias aéreas estavam formando ou expandindo suas feeders regionais. Essas empresas precisavam de novas aeronaves para expandir a frota e substituir aeronaves mais antigas, e o Brasília foi um dos modelos preferidos. Depois dos EUA, o maior mercado do EMB-120 foi o Brasil, com 8% de todas as encomendas. A desregulamentação do setor chegou no Brasil em 1990 e teve como consequência o surgimento de várias companhias aéreas regionais, como por exemplo Total, Pantanal e Passaredo. Grande parte dessas empresas começaram voos regulares com o EMB-120. A maior operadora no Brasil foi a Rio Sul, com 12 unidades. Já na Europa o EMB-120 enfrentou maior competição com outros modelos locais, como o ATR-42 e Saab 340, mas mesmo assim conseguiu vendas na Alemanha, Bélgica, Inglaterra, França, Luxemburgo e Noruega. Em maio de 1983 foi fundada a subsidiária da Embraer na Europa, a Embraer Aviation International, com sede em Paris. O objetivo era promover vendas no continente e fornecer suporte aos clientes de forma mais rápida e efetiva.
Ao longo de sua produção o EMB-120 ganhou variantes: EMB-120ER (Extended Range) com maior alcance, EMB-120FC (Full Cargo) somente para carga, EMB-120QC (Quick Chance) facilmente convertido para carga ou passageiro, EMB-120RT (Reduced Take-off) com peso máximo de decolagem reduzido para se enquadrar em restrições de peso das companhias regionais americanas, e o VC-97 para o transporte VIP ou militar. As versões EMB-120FC e EMB-120QC têm uma porta de carga na fuselagem. A partir da década de 1990 o mercado regional mudou mais uma vez, indo na direção de aeronaves com maior capacidade de assentos e dos jatos regionais, o que contribuiu para diminuir o interesse no EMB-120. Entretanto a aeronave continuou em produção, com um número de encomendas cada vez menor, até que a produção foi encerrada por falta de novos pedidos.
Apesar do crescimento da Embraer durante a década de 1980 e a sua
consolidação como um player global no mercado de fabricantes de
aeronaves comerciais regionais, a situação financeira da empresa
começou a se deteriorar, principalmente no final da década. Uma
combinação de fatores como crise fiscal, hiperinflação, dívida
crescente e investimento em projetos sem retorno financeiro, levaram
a uma crise profunda na Embraer e na falta de capacidade de investir
em novas aeronaves. O fim do regime militar e a adoção de uma nova
agenda econômica, em 1990, levaram a Embraer a ser privatizada em
1994. Sob nova direção a empresa concentrou seus esforços na criação
da sua primeira família de jatos, os ERJs.
Operadores do Brasil:
Air Minas,
America Air,
Interbrasil,
Meta,
Nordeste,
OceanAir,
Pantanal,
Passaredo,
Penta,
Puma Air,
Rico,
Rio Sul,
Sete,
Tavaj,
Total, Trip
BravoAlpha
|
Origem: Brasil
Produzido: 1
Comprimento: 20,07 m
Envergadura: 19,78 m
Altura: 6,35 m
Peso da aeronave: 7,07 toneladas
Peso máximo decolagem/pouso: 11,5/11,2
toneladas
Pratt & Whitney PW118B
km/h
Velocidade máxima: 584 km/h
Altitude de Cruzeiro: 9,7 km (32 mil ft)
Pista mínima para decolagem: 1,56 km
km
Passageiros: 20 a 35
Disposição de assentos (classe econômica): 2+1
Primeiro voo: 29 de julho de 1983
Entregues: 352
Concorrentes: Saab 340,
Dash 8-100/200,
Dornier 328,
Companhia lançadora:
ACA
Maior operador (encomendas
diretamente do fabricante):
SkyWest
Comparar com outras
aeronaves
Aeronaves Embraer:
EMB-110, ERJ-135 / ERJ-140 / ERJ-145, E-170 / E-175 / E-190 / E-195